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          O Monstro Monstruoso da 
          Caverna Cavernosa

          Rosana Rios
     
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Impresso Braille em volume nico na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, 2004, da Editora DCL -- Difuso Cultural do Livro.
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          Volume nico

          Ministrio da Educao
          Instituto Benjamin Constant
          Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
          22290-240 Rio de Janeiro
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          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
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          Copyright (C) 2004 
          do texto: Rosana Rios 
          Copyright (C) 2004 
          da edio: Editora DCL -- 
          Difuso Cultural do Livro
          
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                                I
Dados Internacionais de Catalo-
  gao na Publicao (CIP)
(Cmara Brasileira do Livro, 
  SP, Brasil)

Rios, Rosana.
  O monstro monstruoso da caverna cavernosa / Rosana Rios ; ilustrador Andr Neves. -- 1. ed. -- So Paulo : DCL, 2004.

  ISBN 85-7338-930-3 (antigo -- brochura)
  ISBN 978-85-7338-930-2 (novo -- brochura)
  ISBN 85-7338-938-9 (antigo -- capa dura)
  ISBN 978-85-7338-938-8 (novo -- capa dura)

  1. Literatura infanto-juvenil I. Neves, Andr. II. Ttulo.

04-5085         CDD -- 028.#e
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ndices para catlogo 
  sistemtico:

  1. Literatura infantil 028.#e

  2. Literatura infanto-juvenil 028.#e
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                             III
  O que ser que um Monstro Monstruoso com seis orelhas, dois narizes e quatro braos  capaz de fazer?   
  Ele  um devorador nato! Seus duzentos e dezenove dentes dentro de sua enorme boca so capazes de engolir... engolir... 
  Se voc pensou em princesas, se enganou! Ele gosta mesmo  de sorvete! Mas uma carta inesperada pode mudar esse cardpio...

Prezado senhor Monstro:
 
  Ficamos sabendo que o senhor no tem devorado nenhuma princesa, como  a obrigao de todos os monstros. Por isso, pedimos que devore uma logo (...), seno, teremos de expuls-lo da Associao.

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<p>
<To monstro monstruoso>
<T+1>
  No alto de uma Montanha Montanhosa, bem no fundo de uma Caverna Cavernosa, morava o Monstro Monstruoso.
  Era um monstro dos legtimos: tinha dois narizes, quatro braos, seis orelhas, duzentos e dezenove dentes. E era to simptico!
  Alm de tudo, era louco por sorvete. Costumava dizer que a melhor hora do dia era a hora em que o Sorveteiro passava.
  Por isso, cada vez que ouvia passos na estrada que subia a Montanha Montanhosa, o Monstro corria para fora da Caverna, balanando suas seis orelhas.
  -- Oba! L vem o Sorveteiro!
  s vezes, ficava decepcionado. Como no dia em que, ao sair da Caverna, j sentindo o gostinho de picol de chocolate na boca, em vez de encontrar o Sorveteiro, encontrou s o Carteiro.
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  O pobre homem estava cansado por ter subido a Montanha a p, carregando sua pesada sacola de cartas s costas.
  -- Bom-dia, amigo -- bufou o Carteiro --,  por aqui a Caverna Cavernosa do Monstro Monstruoso? Tenho uma carta para ele.
  O Monstro sorriu com todos os duzentos e dezenove dentes. Uma carta! Seria da Mame Monstra?
  -- Eu sou o Monstro Monstruoso, e esta  a minha caverna. Pode me entregar a carta...
  Mas o Carteiro no parecia convencido.
  -- Como vou saber se voc  mesmo o que diz? No vejo nenhuma placa de rua ou nmero de casa. Preciso de provas comprovadas: voc tem certido de nascimento? Cdula de identidade? Carteirinha de monstro?
  O Monstro piscou.
  -- No tenho nada disso, no. Mas tenho coisa melhor.
  E, abrindo sua enorme boca, soltou um berro de monstro, assustador:
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  -- GRRRRRAAAAAAUUUURRRRRR!!!
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  Quando fechou a boca, no encontrou o Carteiro.
  -- U, aonde ele foi?
  O homem j estava longe, descendo a Montanha Montanhosa o mais depressa que podia. No queria nada com monstros, especialmente de boca aberta!
  Mas havia deixado a carta, cada no cho. O Monstro, ento, abriu o envelope e leu a mensagem:

Prezado senhor Monstro,
  
  Ficamos sabendo que o senhor no tem devorado nenhuma princesa, como  a obrigao de todos os monstros. Por isso, pedimos que devore uma logo, para cumprir nosso regulamento; seno, teremos de expuls-lo da Associao.

Atenciosamente,
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 Associao Associada dos Monstros Monstruosos.
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  O Monstro torceu os seus dois narizes e cruzou os seus quatro braos.
  -- Ora bolas, devorar princesas! Elas tm um gosto horrvel! Por que no me deixam tomar sorvetes em paz? Ora bolas, bolas, bolas...
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  Monstro Monstruoso no queria ser expulso da Associao. Toda a sua famlia Monstruosa era scia! Mame Monstra no ia gostar nem um pouco se viesse a saber... E ela ficaria sabendo! Os monstros, alm de serem... bem... monstruosos e de gostarem muito de assustar as pessoas, adoram uma fofoca.
  Ele ficou muito chateado ao pensar naquilo. Mesmo que concordasse em (argh!) devorar uma princesa, onde iria arrumar uma? Princesas no nascem em rvores. S se...
  Com uma risadinha e uma idia na cabea, o Monstro correu para a Caverna, procurando lpis e papel.
  Alguns dias depois, um anncio muito estranho apareceu nos jornais da cidade mais prxima. Era assim:

Monstro Monstruoso procura princesa para devorar. As interessadas devem comparecer  Caverna Cavernosa, no alto da Montanha Montanhosa.

  Claro que nenhuma princesa foi tonta de responder a um anncio desses. C entre ns, era justamente isso que o Monstro queria! Ningum poderia dizer que ele no tentou cumprir o tal regulamento... Que culpa tinha se no havia nenhuma princesa disponvel por perto, para que ele devorasse?
  A Associao teria de deix-lo em paz, e ele continuaria feliz da vida em sua caverna, tomando os seus sorvetes.
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  Pouco antes do fim do vero, o Carteiro tornou a subir a Montanha Montanhosa. Um pouco assustado, lembrando-se dos duzentos e  dezenove dentes naquela boca aberta, ele chegou  entrada da Caverna empurrando um carrinho de mo com um pacote dentro.
  -- Tem algum em casa? -- gritou. -- Trago um pacote para o Monstro Monstruoso!
  O Monstro Monstruoso demorou a aparecer, aborrecido por ter sido interrompido no momento em que comeava a saborear um picol de limo.
  -- O que  agora?
  -- Bom-dia, amigo! Esta  a Caverna Cavernosa do Monstro Monstruoso, no ?
  O Monstro lembrou-se dele.
  -- Ah! Voc  o Carteiro. Vai perguntar outra vez se eu tenho carteirinha de monstro, vai?
  -- No! -- apressou-se a responder o outro. -- Eu apenas trouxe esta encomenda, que veio endereada ao senhor. At logo!
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  E l se foi montanha abaixo, deixando o pacote com carrinho e tudo.
  O Monstro no estava gostando daquilo. No havia encomendado nada... Era coisa da Associao, com certeza!
  Ainda estava pensando se abriria ou no o embrulho quando ouviu o rudo de alguma coisa se mexendo l dentro.
  -- Ora bolas, bolas, bolas -- resmungou --,  melhor abrir logo!
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  Cortou o barbante, rasgou o papel e teve a maior surpresa da sua vida: sentada dentro de uma caixa com grades, bem amarradinha, estava uma princesa de verdade!
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  Assim que se viu livre do embrulho, a Princesa botou a boca no mundo:
  -- SOCOOOOOOOOOOOOOOORRO!!! Tem um monstro monstruoso querendo me devoraaaaaaaaaaaar!!!
  O Monstro bem que tentou tapar os ouvidos, mas, como tinha seis orelhas e apenas quatro braos, dois ficaram de fora.
  -- Quer parar de gritar? Eu no vou devorar voc!
  -- No acredito! -- teimou a Princesa. -- Eu li muito bem o que est escrito nesta carta. SOCOOOOOOOOOORRO!!!
  S ento ele notou que havia um papel preso  caixa pelo lado de dentro: uma carta. E, enquanto a Princesa continuava berrando, o Monstro pegou a carta e leu o que estava escrito.

Prezado senhor Monstro,

  Ficamos sabendo que o senhor no conseguiu cumprir o regulamento da Associao por falta de princesas no mercado; por isso, estamos lhe enviando uma, de nossos estoques. Bom apetite!

Atenciosamente,
<R+>
 Associao Associada dos Monstros Monstruosos.
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  -- Ora bolas, bolas, bolas! -- gemeu ele, desanimado. -- Desta vez eles querem mesmo me obrigar a devorar uma princesa!
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  A Princesa, que j estava cansada de berrar, resolveu fazer uma pausa na berrao e conversar um pouco.
  -- Quer dizer que voc no vai me devorar?
  --  claro que no! Eu s gosto de sorvete. A nica vez em que experimentei carne de princesa foi na casa da Vov Monstrona. E achei ruim demais...
  Num primeiro momento, a moa sentiu-se ofendida e com vontade de discutir com ele, para defender o gosto bom da sua carne. Mas logo percebeu o que aquilo significava e achou melhor no tocar mais no assunto.
  -- Ento -- ela se remexeu, toda impaciente --, voc bem que podia me desamarrar, no ?
  Depois de desamarrada, desamassada e descansada daquela terrvel experincia -- ter sido capturada e presa no Estoque de Princesas Devorveis da Associao dos Monstros --, ela teve uma longa  conversa com o Monstro em uma das salas da Caverna, enquanto ambos tomavam sorvete de morango.
  -- Deixe-me ver se entendi direito: voc  um monstro que no gosta de almoar princesas. Eu sou uma princesa que no gosta de ser almoada. Logo, no h problema: eu vou embora, e no se fala mais nisso!
  -- Como no h problema?! -- discordou ele.
  -- Se a Associao ficar sabendo que eu soltei voc, minha carreira de monstro estar acabada! No posso fazer isso. O que a minha me iria dizer?
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  A Princesa pensou um pouco.
  -- S tem um jeito, ento. Eu fico morando aqui, e ns fazemos de conta que sou sua prisioneira. Se algum perguntar alguma coisa, voc diz que est esperando eu ficar bem gordinha para ser devorada.
  -- Voc quer mesmo ficar morando aqui?!
  Ele sabia que sua caverna no era l muito apropriada para uma princesa viver. Mas ela at bateu palmas, de to animada.
  -- Vai ser divertido! Voc no imagina como  chata a vida num castelo. A gente passa o tempo todo s bordando, fazendo doces e jogando lencinhos para os prncipes nos torneios.
  Os olhos do Monstro arregalaram-se. 
  -- Fazendo doces?
  --  -- confirmou ela, com uma careta --, dizem que faz parte da educao tradicional das princesas: bordar em ponto paris e aprender a preparar bolos, pavs, arrozes-doces, bem-casados...
  Agora era o Monstro que estava ficando animado.
  -- Por acaso voc aprendeu a fazer... sorvetes?
  -- Naturalmente. Por qu?
  Em vez de explicar, o Monstro levou-a para conhecer a cozinha.
  Eles no sabiam, mas ali comearia uma vida nova para os dois...
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  Morar na Caverna Cavernosa era muito divertido para a Princesa -- e mais ainda para o Monstro. Acabaram se tornando grandes amigos e passavam os dias naquela mesma cozinha, inventando novas  receitas de sorvete; ou ento, sentavam-se nas pedras l fora e ficavam longas horas contando um para o outro histrias de castelos e cavernas.
  Falando em histrias, esta poderia acabar por aqui, com um e viveram felizes para sempre. Mas no acabou.
  Sim, a existncia dos dois ali era bem agradvel. Mas aquela vida boa no ia durar por muito tempo...
  Pode ter sido o Carteiro quem espalhou a notcia. Ou talvez os pssaros que voavam da Montanha  cidade. Fosse quem fosse o fofoqueiro, logo todo mundo nas redondezas ficou sabendo que, na Caverna Cavernosa, o Monstro Monstruoso mantinha prisioneira uma pobre princesa.
  Seria lenda? Seria verdade? Por via das dvidas, a Associao dos Heris Hericos resolveu tomar providncias e mandou algum investigar.
  E foi assim que, no comeo do inverno, um rapaz apareceu na estrada que subia a Montanha Montanhosa.
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  O Monstro e a Princesa bem que ouviram passos de algum se aproximando, mas estavam to ocupados, discutindo qual o sabor de sorvete que melhor combinava com calda de caramelo, que no deram ateno nenhuma ao visitante que chegava.
  -- Eu prefiro a calda de caramelo com sorvete de manga! -- dizia a Princesa.
  -- No, senhora! -- protestava o Monstro. -- Sorvete de manga deve ser tomado puro, para se apreciar melhor o sabor da fruta. Calda de caramelo combina  com sorvete de creme!
  -- No combina!
  -- Combina!
  -- No combina!
  De repente, uma voz tmida os interrompeu.
  -- Com licena, desculpem-me. Se no for incmodo, poderiam fazer o favor de me informar se esta  a Caverna Cavernosa do Monstro Monstruoso?
  --  aqui mesmo -- respondeu a Princesa, olhando de alto a baixo o recm-chegado. -- Por qu?
  O rapaz no respondeu. Respirou fundo, desceu o embornal que levava s costas, tirou do cinto uma espada. Ento, reuniu coragem e apontou a espada para a Princesa, gritando:
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  -- Renda-se, Monstro Monstruoso! Sua vida de crimes terminou. Solte j esta pobre princesa!
  A moa ps as mos na cintura, ofendida.
  -- Francamente! Voc precisa de culos, rapazinho. No est vendo que eu sou a Princesa? O Monstro  ele!
  O Prncipe -- pois ele era um prncipe -- atrapalhou-se todo.
  -- Puxa, desculpe... que distrao a minha! Vamos comear tudo de novo.
  Tornou a reunir coragem e apontou a espada para o monstro certo.
  -- Renda-se, pobre monstro! Seu crime de vidas terminou! Solte j esta monstruosa princesa! No, no era bem assim. Como era mesmo?
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  O Monstro Monstruoso coou a cabea com todas as quatro mos.
  -- O que quer dizer isso? No entendi nada.
  A Princesa disparou a rir e no parava mais. Somente depois de algum tempo ela conseguiu dizer:
  -- Ai! Essa foi a coisa mais engraada que j ouvi. De onde voc saiu?
  O rapaz estava to envergonhado que ficara vermelho do alto da cabea at as pontas dos dedos dos ps.
  --  melhor eu me apresentar -- suspirou ele --, sou o Prncipe Principiante. A Associao dos Heris Hericos me mandou aqui.  minha primeira misso, e eu fao um fiasco desses...
  -- Ora bolas, bolas, bolas -- disse o Monstro, com pena dele --, no fique assim, Prncipe. Eu tambm no sou um monstro l essas coisas.
  -- E eu, ento -- completou a moa --, no sou uma princesa muito principesca. Explique-se melhor: por que os tais heris mandaram voc?
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  -- Parece que salvar princesas presas por monstros  trabalho de prncipe. Como andam correndo boatos de que nesta montanha h uma caverna de monstro com princesa prisioneira...
  -- Eles mandaram voc para me salvar! -- concluiu a moa.
  -- Foi isso... -- confessou o Prncipe, mais envergonhado ainda. -- Eu no tenho muito jeito pra heri, nem gosto de machucar ningum com a espada, mas precisava obedecer para no ser expulso da Associao. Vocs sabem como ...
  -- Se sabemos! -- respondeu o Monstro, com um suspiro tambm. -- Estamos nesta situao por culpa da Associao dos Monstros, que vive querendo me forar a devorar princesas.
  -- Recapitulando -- resumiu a Princesa --, temos aqui um monstro que no quer devorar princesas, uma princesa que no quer ser salva do monstro e um salvador que no consegue salvar ningum...
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  E ia comear a rir de novo, mas o Prncipe fez uma cara to sria que ela no teve coragem.
  --  um problema grave -- queixou-se ele. -- O que vamos fazer?
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  -- No tem jeito -- resmungou o Monstro. -- No podemos ficar aqui fingindo a vida inteira. A Princesa vai acabar sendo levada de volta ao seu castelo, e eu vou ser expulso da Associao dos Monstros, tenho certeza.
  -- Quanto a mim -- choramingou o Prncipe --, vou acabar virando um heri desempregado. Vocs tm idia de como anda difcil arrumar emprego de prncipe ultimamente?
  Os dois teriam ficado ali se queixando a tarde toda; porm, a Princesa sacudiu os longos cabelos, empinou o nariz e interrompeu as lamentaes: -- Acho que tive uma idia para resolver o problema. Vamos parar de dizer bobagens, Monstro Monstruoso e Prncipe Principiante! Que se danem as Associaes. Deixem que elas expulsem vocs.
  --  fcil para uma princesa dizer isso. Principalmente uma sem carteirinha de Associao e sem emprego! -- disse o Monstro.
  Mas ela insistiu.
  -- Querem me ouvir? Nem vocs nem eu vamos precisar de emprego. Vamos abrir nosso prprio negcio!
  E contou a eles a sua idia.
  Os trs conversaram por muito tempo, ali, sentados nas pedras.
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  Quando anoiteceu, o Monstro foi fazer o jantar, enquanto a Princesa arrumava um quarto para o Prncipe no fundo da Caverna.
  O inverno passou...
  No princpio da primavera, saa um anncio nos jornais da cidade, l embaixo:

Sorveteria Monstro
  Aproveite nossas ofertas de inaugurao!
  Deliciosos sorvetes pela metade do preo!
  Receitas exclusivas da Princesa Principesca.
  Encomendas com o Prncipe Principiante, na Caverna Cavernosa, no alto da Montanha Montanhosa.

  Depois de algum tempo, a Sorveteria Monstro havia se tornado a mais famosa da regio. Afinal, ningum entendia mais de sorvete que o Monstro Monstruoso!
  Ele passava horas conversando com os fregueses, discutindo os melhores sabores, rindo e mostrando, para quem quisesse ver, os seus duzentos e dezenove dentes.
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  Bem, agora esta histria est chegando ao fim. Se fosse uma histria de amor, e no uma histria de monstros, eu arrumaria um namoro e um casamento entre o Prncipe e a Princesa. Mas isso voc mesmo pode imaginar, se quiser.
  Felizes para sempre?
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  Nem tanto. s vezes, o Prncipe e a Princesa brigam, como todo mundo.
  s vezes, deixam algum sorvete fora da geladeira e ele derrete inteiro.
  s vezes, o Prncipe esquece de cobrar de algum fregus, e o jeito  mandar o Monstro fazer a cobrana. Ningum deixa de pagar a conta quando o cobrador tem duzentos e dezenove dentes arreganhados!
  s vezes, a Princesa teima em testar alguma receita nova e obriga os dois a serem as suas cobaias para provar certos sorvetes estranhos -- de jil, de pepino ou de pimenta-malagueta, por exemplo.
  E, s vezes, o Monstro Monstruoso resolve experimentar algum sabor especialmente gostoso e acaba com todo o estoque!
  Mas, problemas  parte, eles so felizes, sim. Pois fazem o que realmente gostam de fazer: SORVETES!

               oooooooooooo
           
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<p>  
  Sou autora de livros infantis e juvenis, com 75 obras j publicadas. Fui roteirista de programas infantis de TV, como o "Bambalalo" na TV Cultura, o "Agente G" na Record, e tambm escrevi peas de teatro. J recebi alguns prmios literrios importantes, como o Prmio Bienal Nestl de Literatura. Moro em So Paulo com meu marido, meus dois filhos, uma cachorrinha e uma sala lotada de livros e gibis. Gosto muito de ler, desenhar, assistir a seriados na TV, viajar e,  claro, adoro sorvetes -- principalmente os de sabores azedinhos: abacaxi, maracuj, morango e limo.

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Obra

